13 de setembro de 2011

Aquela ladeira, Aquele Prédio (...)

Passei uma boa parte da minha vida correndo aquelas escadas sujas daquele prédio, descascando parede para fazer de comidinha enquanto minhas duas amigas pegavam matos dos cantos das escadas com lodos. Pulava de degraus em degraus, subia correndo sem medo de cair e hoje tenho cicatrizes dos tombos que cansei de tomar ali, pulava nos telhados para mostrar que eu conseguia, tantos esporros escutei, tantas gargalhadas soltei de ter conseguido fugir de mais um adulto chato atrás de mim.

Ali naquele prédio aberto, peguei sol, montava piscina na laje e tomava picolé de banana caseiro feliz da vida e noitinha ia brincar de contar histórias de terror, onde só eu contava as histórias macabras (risos).
Aqueles dias de férias onde eu pegava minha sacola rasgada cheia de barbies, algumas sem cabeça e todas sem roupas, berrava minhas amigas e elas vinham com os moveis de madeira, montávamos a casinha toda e enfim começávamos a brincar, até os garotos reclamarem que a gente só brincava de brincadeira de menina e eu sempre os convencia de vir brincar com a gente, mas eles sempre queriam ser monstros que invadiam nossa casa e destruíam tudo!

Ficava um vazio e não tinha mais o que brincar lá no prédio até que, eu escutava um 'assobio' e era automático correr para o paredão, lá estava ele, vulgo Polto, aquela hora da manhã já ansioso para reunir todos naquela ladeira de pedrinhas não muito brilhantes. Um ia chamando o outro e quando nos dávamos conta já era noite e não queríamos parar de brincar. Que saudade, que galera boa, grandes amigos.

 Ao son de um forro no ultimo volume la no prédio, só se escutava os gritos da Aureni pelo Genário, e como na turma do chaves existia a Dona Noemia a bruxa do 71..

Ai essa infância, onde eu montava um restaurante e com farinha de trigo fazia bolinhos para brincar de vender, nesse prédio onde brincávamos de gincanas e um sempre era o líder que ficava fazendo o trajeto (risos), era ali que inventamos a nossa brincadeira 'pique bolaescada'. 

Foi nessa infância, nesse prédio dessa ladeira, que choramos, sorrimos e demos os abraços mais sinceros do mundo quando os fogos do milênio explodiram na nossa frente. É, ano 2000 um outro milênio se iniciava, e mal imaginávamos o quanto nos distanciaríamos, o quanto o tempos seria cruel.

Foi ali que crescemos e obtivemos amigos de infância eternos. Naqueles dias de chuva cada um encolhido na sua casa e quando tinha apagão no maior calor éramos nós que íamos para as varandas, escadas e sacadas daquele prédio velho e casas antigas daquela ladeira, olhar os adultos jogando baralhos com luz de vela ou simplesmente observar o 'breu' que a rua estava, enquanto nós brincávamos ou continuávamos nossas histórias de terror.

Foram aquelas escadas que colorimos de verde e amarelo quando juntos torcemos para copas do mundo e em época de festa junina eram aquelas varandas que ficavam cheias de bandeirinhas e  todos fantasiados de caipira dançávamos forró ate cansar. Esse prédio, esse morro, essa ladeira, essas pessoas, essas lembranças, a infância mais gostosa que uma criança pode ter, ai como sinto saudade disso tudo! Alan Leonardo, Anderson, Andressa, Luana, Diego, Genário, Liliane, Rafael, Victor e muitos outros!

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