6 de novembro de 2011

O menino do pijama listrado.

''Acho que agora é hora de ir para casa'', disse Bruno.
''Podemos ir juntos até a cerca?"
Shmuel abriu a boca para responder, mas bem naquele instante ouviu-se um apito alto e dez soldados - o maior número deles que Bruno vira reunidos num só lugar - cercaram um setor do campo, o setor em que estavam Bruno e Shmuel.
''O que está acontecendo?"
"Isso acontece de vez em quando", disse Shmuel. ''Fazem as pessoas saírem para marchar".
"Sera que a marcha demora muito?, susurrou ele, pois estava começando a sentir fome.
"Acho que não", disse Shmuel. ''Quando as pessoas saem para marchar, eu nunca mais as vejo. Mas imagino que não demore."
...
Shmuel se aproximou bastante de Bruno e olhou para ele assustado.
"Sinto muito por não termos encontrado seu pai", disse Bruno.
"Tudo bem", disse Shmuel.
"E sinto muito que não tenhamos podido brincar, mas, quando for a Berlim, é só o que faremos, e eu o apresentarei a... Puxa, como era mesmo que eles se chamavam?, Bruno se perguntou, frustrado, pois eles deveriam ser seus três melhores amigos para toda vida, mas tinham desaparecido da sua mente a essa altura.
"Pensando bem", ele disse, olhando para Shmuel, "não importa se eu lembro ou não". Ele olhou para baixo e fez algo bastante incomum para a sua personalidade: tomou a pequena mão de Shmuel e apertou-a com força entre a suas.
"Você é meu melhor amigo, Shmuel", disse ele. "Meu melhor amigo para a vida toda."
Shmuel poderia ter aberto a boca para responder alguma coisa, mas Bruno não teria escutado porque neste instante ouviu-se o roído de todos que haviam marchado para lá dentro, engolidos a seco.
...
Bruno ergueu a sobrancelha, incapaz de compreender os sentido daquilo tudo, mas presumiu que tivesse algo a ver com a necessidade de manter longe da chuva as pessoas e impedi-las de se resfriarem.
E então o cómodo ficou escuro e de alguma maneira, apesar do caos que se seguiu, Bruno percebeu que ainda estava segurando a mão de Shmuel entre as suas e nada no mundo o teria convencido a soltá-las. Nada mais se soube de Bruno depois ...

O menino do pijama listrado - John Boyne

Um comentário:

  1. Não cheguei a ler o livro, pois acabei vendo o filme primeiro! Mas só o filme em si, me tocou muito... Adorei o post, Vi!

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