22 de março de 2013

Um dia não é o suficiente para morrer de saudade.

Eu cheguei em casa depois do trabalho e não joguei minha bolsa no chão, não tirei o sapato e sentei na cama com aquele ar de 'graças a Deus cheguei'. Quando eu olhei para os lados, não vi sua bagunça de sempre, nem suas roupas em cima da mala, esperando infinitamente para serem passadas.

Ontem eu não abri a porta do meu armário e sorri para meu reflexo no espelho, não reclamei de estar cansada e muito menos de não ter comida pronta. Mas teve uma coisa que não mudou no meu dia-a-dia, que ja estava sendo completamente diferente, ontem quando eu cheguei do trabalho eu tive raiva e triste, uma mistura da dose certa e tudo por culpa de não te ver ali.

As pessoas não eram as mesmas, tudo mudado e eu percebi que meus costumes ja estão alojados em um bairro chamado Irajá, não sei porque, nem sei como. Eu senti frio e não tomei meu banho assim que cheguei, não me arrumei e fiquei toda cheirosa a sua espera, enquanto me enfurecia com a demora, para transformar tudo em um belo sorriso quando te visse abrir a porta da nossa casa, nosso quarto.

Meu jantar não foi na cama, não foi deitada e não foi a sua companhia, meu jantar não foi o meu jantar, eu nem se quer reclamei de quem iria lavar a louça depois de tudo. Fiquei por uns minutos esperando alguém brincar comigo, me chamar de algo bonito e pedir minha companhia para tomar banho. Em lembrar do banho, a água estava quente, porem me acariciava como porradas de gotas grosseiras e geladas, minhas lagrimas juntaram a elas com facilidade, tentando acalmar meu coração e a frieza em que eu estava, mas foi em vão. O banho foi seco e não tinha alguém ali dentro escutando meus 'blablablás'. É, ontem não tinha alguém para eu reclamar de ter jogado minha toalha no chão ou de ter fechado a porta antes do banho chegar ao fim.

Eu Olhei para o canto, debaixo do armário do banheiro, mas não tinha nada, nem uma blusa, nem short de futebol jogado, era hora de cair na real que você não estava ali. Acreditei por uns segundos que eu pensava tanto em você, que essa intensidade, possivelmente te materializa-se em minha frente, talvez um dia, com essa tecnologia eu consiga, mas ontem não!

Quando o telefone tocou que vi seu nome, me exclui de tudo e de todos, apenas me interessava passar alguns minutos escutando sua voz e como uma criança esperando seu presente em época de natal eu fiquei, até escutar seu 'te amo', assim que fechei os olhos fiz questão de te dizer o que sempre te pedi, quando tudo na sua vida não fazia sentido para mim e aquela casa onde eu estava era na verdade a minha casa, então suspirei prolongadamente e lhe disse: ''sonha comigo em, irei perguntar amanhã'. O

O amanhã é hoje e nós sabemos que eu não vou perguntar, mas com certeza lembrarei com você que ontem a noite a saudade era tanta que voltei 3 anos e 7 meses no tempo. Desliguei o telefone, fechei os olhos e fiquei por um tempo vendo a nossa vida passar voando por esses anos com uma musica especial no fundo, 'so não vou te prometer, que vai me ver, quando o dia chegar'.

A noite foi complicada, mas um dia não
é o suficiente para morrer de saudade!
ps: sua amante te ama.

3 comentários:

  1. Nossa, me emocionou muito, você escreve muito bem, seja real ou ficção, é um belo texto. Parabéns!

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  2. ah, vou compartilhar na minha página
    https://www.facebook.com/oslivrosqueamamos

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