10 de setembro de 2013

Escancarou meu peito, desculpe mas eu vou chorar.

Quando eu fechei os olhos para tentar relaxar de um dia de trabalho e estudos eu me concentrei na música que estava tocando, apenas um lado do fone estava conectado a mim e mesmo com o volume baixo aquela parte da canção, tocou no fundo do meu coração.

Ninguém me obrigou a dizer adeus, mas ninguém  obrigou a ele, ir embora da minha vida, os problemas que ele teve, foram consequencias da atitude dele. Eu não virei as costas pra ele e fui embora, não ignorei os sentimentos dele e nem esqueci tudo que aprendi ou vivi ao seu lado. Mas porque parece que para ele foi tudo tão assim? 

É como se uma noite de tormenta chegou de repente para ele, e assim que o sol surgiu ele saiu correndo, fechou os olhos para o mundo, sentiu vergonha da vida e quis sumir, eu o entendo, ou acho que entendo.

Quando eu fechei os olhos eu escutei 'vou chorar, desculpe, mas eu vou chorar, na hora em que você voltar, perdoa meu coração', a essa altura eu ja estava chorando, eu imagino um dia ele voltando, olhando nos meus olhos e me dizendo isso... Mas é claro que eu desculpo. Ou não.

Me sinto em um mar profundo, perdida, acho que estou me afogando, sinto um nó enorme na garganta e eu mal posso engolir saliva, tento olhar para alguma luz, evita que as lagrimas caiam e eu estou em um ônibus ao lado do meu noivo, ele é muito preocupado comigo e me trata como uma taça de vidro, não ficaria bem, demostrar o desespero em que fico cada vez que sonho com meu tio, acordo com saudade e escuto essas músicas que me lembram tanto de tudo.

Não bastou Deus escrever minha história sem meu pai legítimo, desenhou um rascunho de um pai ideal, nem que estivesse presente somente nos finais de semana e épocas de férias, então foi lá e o apagou, assim, sem mais nem menos.

Eu senti meus braços que estavam debaixo do meu rosto, ficarem exarcados, meu rosto inteiro estava molhado e meu coração estava menor que uma formiga, sensível, inocente e tão desprotegida, tão vulnerável a um mundo estranho, como se somente eu estivesse ali e tudo era tão perigoso.

Lembrei das vezes em que eu me deitava no colo dele dentro de uma vam, com destino a minha felicidade, que estaria lá na minha segunda casa, quando eu os visse juntos, quando nós três fossemos deitar juntos e dormir agarrados, como uma família feliz. Lembrei que eu vivia passando mal quando viajava e em um dia, fiquei tão transparente e passando tanto mal, que ele foi obrigado a descer da vam comigo, esperar eu colocar meus órgãos para fora e voltar para a estrada (risos). 

Das vezes que víamos placas de carros e apostávamos quem gravava mais na memória, das vezes que ele via meus desenhos e ficava me ensinando como melhora-los, das cartinhas que eu fazia para ele, das vezes que ele sentava no chão comigo e vinha brincar de massa de modelar comigo, criava vários bonecos, os que ele fazia eram sempre os mais bonitos. 

Não dá para deixar de lembrar daquele ar puro e gostoso de fazenda, com o sol me acordando aos poucos de manhã, eu sentia as mãos da minha segunda mãe no meu cabelo, toda cheia de carinho e  amor, o café ja estava pronto e ele lá na sala, aumentava o som tocando um forró, enquanto ja estava trabalhando no quintal. 

É, eu não aprendi a dizer adeus para ele, ninguém me ensinou, eu não gosto de falar dele, de lembrar dele nem ao menos de pensar em tudo isso, mas quando de repente eu tomo esse tiro no meu coração, a ferida se escancara e tudo vem de forma agressiva no meu pensamento, então eu apenas escrevo.

-Um dia você ja vai estar grandinha e vai vir sozinha p. cá, pegar a vam e descer sozinha
-Eu? Eu não eu sou pequena!
-Mas você vai crescer, daqui a uns 5 anos você ja vai saber vir só, descer e chegar em casa, eu não vou mais precisar ir te buscar, você não vai mais precisar de mim

Esse final de semana eu viajei, estava dormindo e de repente quando eu acordei e abri meu olhos eu estava exatamente lá, naquele ponto, naquela rua, naquele lugar, foi inevitável não pensar neles, nele diálogo, nesse dia, nesses momentos, eu reconheci, ele estava certo, um dia eu iria cresce e saberia chegar sozinha lá, eu ainda estou sensível por esses pensamentos, sei que escrevi demais e esse post não está bom, mas eu estava apenas tentando desabafar.
Dedicado para meu Tio Geovane e minha madinha Luiza

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