6 de novembro de 2013

A primeira vez que falei com meu primeiro amor!

Eu sabia que um dia eu iria sentir falta da escola, não que eu tenha abandonado os estudos depois do diploma do 3º ano, muito pelo contrário, serei uma ótima técnica de segurança. Porém, eu ja sabia que um dia eu iria suspirar fundo e relembrar de algumas histórias legais que vivi naquela época.

Eu estava saindo do primário quando eu o conheci, deveria ter uns onze anos de idade, naquele tempo eu simplesmente amava ir para a escola, estava no 1º ano do ginásio (5º série) e ja tinha me apaixonado por aquele garoto mais velho que eu, -pois é histórias de filme americano também acontecem no Brasil. Uma pena é que eu estudava a tarde e ele fazia o último ano do ginásio (se não me engano) de manhã, dessa forma, eu só poderia vê-lo nos dias em que eu tinha aulas complementares e esses dias eram os mais legais da semana.

Eu acordava muito mais cedo, colocava a minha melhor blusa do uniforme, lavava os cabelos longos, me encharcava de perfume ''petty'' e saia ''serelepe-saltitante'' com uma mochila verde nas costas, a caminho da escola. Chegava muito mais cedo que minha aula e ficava a manhã inteira na porta da sala dele o admirando, enquanto o galanteador tentava se concentrar na aula.

Na hora do intervalo eu tentava me esconder, como se ele não soubesse que eu estaria em algum lugar o observando, era engraçado como eu disfarçava mal, e minhas covinhas sempre me entregavam ficando vermelhas quando nosso olhar se encontrava. O Renato sempre foi um bom garoto e com toda simpatia do mundo ele me mandava um meigo ''tchau'' de longe quando nos olhávamos, aquele como quem está pensando ''olha que garotinha fofa, acho que ela está apaixonada por mim''. Ele sempre foi um garoto muito convencido e com certeza pensou exatamente assim (risos).

Aquele dia ele não só me mandou um 'tchau' como me chamou até a quadra onde jogava bola com seus melhores amigos da vida toda, vulgo, B-13. Com certeza eu senti meu coração na boca e minhas amigas acharam graça porque eu estava rindo atoa. Até hoje, não sei como desci e de onde tirei coragem, mas, la fui eu até a tal quadra.

O Renato bagunçou meu cabelo, disse ''oi'' e perguntou se eu era nova na escola, eu sei que não era porque eu tinha chamado a atenção dele, mas porque eu era uma criança que ficava o encarando quase todas as manhãs na escola. Como se fosse meu amigo de anos, elogiou minha mochila, disse que sua cor preferida também era verde e que por isso a minha tinha que ser marrom -até hoje ele diz que essa é a minha cor preferida e que eu só gosto de verde por culpa dele.

Eu o achei um bobo e disse que emprestava a mochila quando ele quisesse, então ele me pegou de surpresa: -Me empresta ai agora!
Eu devo ter gaguejado na hora e explicado que todo meu material estava lá, mas não adiantou. Renato era um dos garotos mais populares da escola, estava no último ano do ginásio, adorava fazer graça e chamar atenção, dito e feito, útil ao agradável, ele pegou minha mochila e entrou em 'campo' com ela nas costas.

É fato que antes disso ele deve ter apostado algo com seus amigos, ele mesmo deveria estar achando maior graça e se sentindo feliz por ter ganho uma aposta, vai saber. Por outro lado, eu estava toda feliz e coberta de vergonha. O garoto mais popular da escola, que eu estava gostando, simplesmente pegou minha mochila como amuleto de sorte. Ele mal sabia que ali dentro tinha o nome dele com corações riscados nos meus cadernos.

Eu sai correndo para perto das minhas amigas que estavam em uma rodinha cochichando e dando risadinhas, faltaram cantar ''com quem será que a Viviane vai casar'', pudera, todas nós só tínhamos uns onze anos (risos). Fiquei na arquibancada vendo minha mochila voar pela quadra nas costas dele -naquela época o Renato era magrinho e corria muito em campo, não foi só pelo seu futebol e pelo outro time estar com os piores jogadores em campo, mas minha mochila realmente deu sorte e ganhamos a partida.

Hoje em dia sou mais ansiosa e apressada que antes, naquela manhã eu consegui descer com calma as escadas e bater de frente com ele novamente. Lhe dei os parabéns e ganhei um beijo na testa, além de mais uma leve bagunçada no cabelo e minha mochila encharcada de suor.

Por sinal, minha mãe me conta que houve um tempo que eu dormir uma semana agarrada a uma mochila, ela não soube e até hoje não sabe o verdadeiro porque! 

Renato de Almeida Romar.
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4 comentários:


  1. Passou um filminho na cabeça... acho que todos nós lembramos do primeiro amor.

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  2. é sempre assim e a gente nunca tem chance com esses carinhas!! beijaum linda

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  3. aquele famoso 'te trato como uma irmã mais nova' sua mãe lê seu blog? agora ela saberá rsrsrsrs bjsssss

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  4. Eu sempre te disse que teria bons livros se escrevesse para todos, estou aqui lhe parabenizando pelo post lindo e que história legal, quero continuação! beijos linda

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