31 de agosto de 2014

Não era Felipe, nem Felipinho, era apenas Fê.

''Doce menino de sonhos sonhados, repleto de sentimentos que nunca são mostrados, te entrega um abraço, recolha com carinho, desfez uma vez, difícil reconquistar''

Se eu não sonhava nem em ter um André em minha vida, ainda mais que eu iria amar tanto quanto eu amo, quem diria um Felipe. Eu tenho mania de conhecer pessoas e fixar o nome de tal forma que acho que todo André e Felipe que eu conhecer no mundo seriam iguais aos que eu conheci na época de escola.

Bom, os que eu conhecia não eram nenhum pouco legais, nem educados e gentis, digamos que para meu bem, essa minha mania ficou de lado quando eu conheci esses belos morenos. O Felipe era menor que eu, parece mentira, ainda usava roupas infantis, a voz dele era fina e tenho pra mim que ele nem ao menos sabia o que era pelos no corpo.

O Felipe nunca foi Felipinho, Lipe ou Felipin pra mim, sempre que eu queria um favor eu o chamava de Fê, falei como se até hoje eu não usasse dessa arma para não ter que levantar da cama para comer ou beber algo. 

Toda vez que eu chegava em casa lá estava ele de calça de moletom, casaco e meião, jogando vídeo game, falando sozinho e rabiscando uns cadernos velhos, o curioso é que ele vivia assim dentro de casa com um sol de 30 graus la fora. Ah, os cadernos velhos, não podia deixar de cita-los, Felipe nunca foi de ler e dizem que criança viaja com a leitura, mas veja so, mais uma vez esse aquariano que ama contrariar a tudo sendo do contra. 

Toda tarde o Felipe viajava e se transformava em um grande treinador de futebol, não vou compara0lo com nenhum, pois eu não entendo de futebol e não vou correr o risco de compara-lo com algum ruim, até porque ele era o melhor. Ele vibrava, escalava seus jogadores e se divertia criando times por cor, por ordem alfabética, por beleza, por gostos dos familiares e assim ia, é gostoso lembrar disso e me faz até rir.

Um dia o Fê chegou da escola e ficou todo envergonhado porque descobrir que ele havia dado seu primeiro beijo na boca, claro que fiquei enciumada e pirava cada vez que via a cara de bobo que ele fazia quando escutava um pagode e lembrava da menininha.

Outro dia o Fê chegou da escola e estava cabisbaixo, tomou o primeiro fora, outro dia chegou todo serelepe contando que três meninas de uma vez estavam a fim dele e a cada dia ele vinha com uma mudança, uma diferença, uma coisa nova.

Quando me dei conta, o vídeo game estava com poeira, os cadernos estavam jogados dentro do armário, até aquele álbum de figurinhas eu não via mais. Ele estava fazendo pipoca sozinho e nem me esperava chegar para fazer e por sazon e manteiga como a gente gosta.

O celular já era mais importante que o futebol na quadra descalço, as roupas sem marca já não tinham tanta graça, esperar a mãe ou o irmão mais velho para leva-lo a algum lugar não fazia mais sentido e as festinhas sem bebidas alcoólicas já nem existiam mais.

É, parece que foi ontem que eu o conheci e como uma criança feliz e implicante ele me pregou uma peça dizendo que gostava de tudo que eu gostava só para ter algo em comum comigo, mais uma vez me pego rindo, e confesso que eu cai feio, mas que você só gosta de verde hoje em dia por causa de mim.


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