23 de outubro de 2014

Voando pela Pedro Antonio, apenas com uma madeira.

O sol ia embora mais tarde durante aqueles dias, ele ficava ali  namorando a gente mais tempo que o normal e deixando todos nós nos divertimos duas ou três horas a mais naquela ladeira com pedrinhas de brilhante.

Horário de verão, férias da escola, os primos dos nossos vizinhos passando férias lá, ladeira cheia, gritos, gargalhadas, vizinhos nas janelas e nós? Ali feito pintos no lixo, felizes para sempre, brincando. Era assim todo ano, por isso não consigo prender um suspiro profundo cada vez que lembro daqueles dias. 

O Anderson e eu éramos os mais aliados, não sei se porque  nascemos muito próximo um do outro, nas brincadeiras lá naquele prédio velho de escadas de lodo, nós dois sempre éramos líder e controlávamos tudo. O Rafael Polto era a ligação, ele sempre chamava todos, insistia, inventava motivos para manter todos juntos, era mandão e já me fez chorar varias vezes. O Victor era o mais engraçado de todos, era vivia em pé de guerra com o Renan irmão mais novo do Rafael que dava uma me maluco, os dois juntos eram uma dupla e tanto, os mais engraçados. 

A Liliane era a Dama da ladeira, delicada, meiga e amiga de todos. A Andressa era a mais misteriosa, só descia quando  a gente insistia muito e naquela época era muito zoada pelo irmão mais velho o Anderson. Alan sempre foi muito criativo, ele sempre fazia uma caixa de papelão virar um avião, panos velhos casinhas e por ai vai.

Ah, os brinquedos que o Alan criava, me fazem sorrir e me sentir feliz, ao mesmo tempo fico triste de pensar que as crianças de hoje em dia não tem essa infância, não tem esse gás nem terão essas histórias para contar no futuro. De verdade, me sinto mais crianças que elas, mesmo sendo uns dez anos mais velha.

Próximo ao Valongo as pessoas jogavam móveis velhos, ali nós nos criávamos, o Alan fazia uma fabrica de brinquedos, brincadeiras e idéias, era de lá que ele pegava as portas de armários velhas, separava uma para cada um e começava a competição.

Nós morávamos em uma ladeira bem íngreme e nesses dias de verão íamos para a rua com manteiga, casca de banana, oléo e até vela apelávamos. A idéia era ter a madeira mais deslizante e voar pela ladeira abaixo.

As senhoras na janela falando do dia-a-dia da vida alheia nem reclamavam, se assustavam com as quedas e os ematomas nos braços, por vezes os tombos eram feios, se não me engano a cicatriz que o Anderson tem no braço até hoje é lembrança dessa época. Mas na verdade todos sabiam que ali estava se concretizando uma infância maravilhosa. 

Eu era café com leite, a mais nova e mais frágil, geralmente descia na garupa de alguém com os chinelos nas mão que serviam de freios, me divertia ajudando meus parceiros a dar potência para nossa 'nave' e até o sol ir embora lá estávamos nós, gargalhando, brincando e sendo felizes.

ps: citei apenas alguns nomes nesse post, 
mas tinham muito mais crianças que guardo meravilhosas lembranças.

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